Acabei de sair da UTI da pediatria e no quarto de isolamento uma criança toda tristinha com a afeição castigada pela dor. A mamãe percebe a presença de duas figuras exóticas do outro lado do vidro. Exóticas não pelo fato das vestimentas, mas sim pelo comportamento alegre nos andares do corredor.
O olhar de desespero da mamãe procurando algo para acalentar o sofrimento da criança viu naquela dupla de médicos besteirologistas especializados uma forma de entreter a criança.
Fechada em si mesma, a criança não queria saber de nada diferente que a dor. A criança olhou 1, 2, 3 vezes e a figura de nariz vermelho não chamou atenção.
Do outro lado thuco, não tinha a ferramenta de voz, porque o som não ultrapassava o vidro, e a pergunta era como transformar aquele momento. Thuco tinha em sua mão uma luva de enfermeiro que cheia de ar mais parecia uma bexiga. Aquilo tinha sido uma idéia ótima de seu parceiro tomikado, mas ainda sim a criança mal dava atenção.
Faltava algo.
Eis que ambos os olhares se cruzaram, e muito mais do que isso, thuco olhou para aquela criança com a sinceridade de que ele não sabia qual era o próximo passo. Ele não sabia como ajudá-la mas ele se importava com o momento dela.
Um olhar puro, sem esperar nada em troca.
Foi o suficiente. A mágica aconteceu.
Aquele bebê olhou no fundo do alma do thuco e disse que ele poderia entrar. Não no quarto, mas sim em um lugar muito mais importante. No espaço dela.
Rapidamente a criança fez o trabalho de transformação, mudando o estado de choro para riso, dor para alegria e a medida que thuco brincava com a bexiga, que era luva, que era mão, os sorrisos ficavam cada vez mais acalorados.
Hora de ir e thuco escuta a voz de tomikado.
Tomikado: - Entrega para ela
Enfermeira: - Você não pode entrar
Thuco: - Não vou entrar, apenas entregue isto. (apontando a bexiga).
A enfermeira sorriu e levou a bexiga para dentro do quarto.
Ultimo sorriso. Ultimo olhar antes de continuar a caminhar pelos corredores do hospital.
Sim. Uma olhar de agradecimento. Mas quem agradeceu foi o thuco.
Obrigado criança por deixar eu entrar em um lugar tão especial.
sábado, 27 de junho de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
sábado, 11 de abril de 2009
O Nariz do Palhaço
Por favor,
Homem revoltado
Homem ludibriado
Homem usurpado
Homem ignorante
Homem passivo
Homem covarde,
Deixa este Nariz aí!
Tira este Nariz do rosto!
Este Nariz é do Palhaço.
Faz parte da alma dele.
Não é utensílio de fracos.
Respeite-o.
Quer protestar?
Vai a luta!
Mostra a tua cara não a do Palhaço,
Quer fazer greve?
Mostra a tua cara não a do Palhaço.
Quer reclamar do governo?
Quer reclamar dos bancos?
Quer fazer uma revolução?
Quer mudar o mundo?
Mostra a tua cara não a do Palhaço.
E se conseguires alguma transformação,
Aí sim, o Palhaço te concederá o seu Nariz.
Mas o Palhaço não é esta frouxidão que tu és.
Não te confundas com o nobre Palhaço.
Há muito ele é o condutor da alegria,
Da sensibilidade, da liberdade, da emoção,
Da docilidade e da verdade também!
Ele não se oculta como tu.
Há muito habita o universo mágico da pureza
E por isso é tão sentido pelas crianças.
O Palhaço não é aquele lado teu que foge de medo,
Que não enfrenta a luta nem se expõe.
Tira então este Nariz, Homem!
E mostra a tua própria cara.
Pode ser que teus problemas comecem a ser resolvidos.
E quem sabe um Palhaço sorrirá para ti?
Se fores um lutador de verdade.
Paulo Roberto Drummond
quarta-feira, 8 de abril de 2009
domingo, 15 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
TCM (Tensão Clown Mensal)
Mulheres tendem mensalmente a terem seus dias mais senciveis, que se iniciam na chamada TPM. Palhaços por certo, ou não, também podem ou querem ficar mais senciveis e vulneraveis, um ciclo que podemos chamar de TCM.
Dra. Chiquinha que o diga, pois no dia de hoje teve seu avental encharcado por lágrimas, pois Dr. Caldigo em seu período bi-polar, ocilava entre, a raiva do ter, ser, ao choro do não. Pois um simples vazio no "bebêmodromo", suas lágrimas jorravam aos montes. Sua companheira tão firmemente na postura de não saber muito o que fazer, ora não sabia se o consolava, ora se chorava também.
Sucederam eum quase todo o dia no hospital geral São Mateus, um canto de Quero-Quero, e em vários cantos podia se ver um palhaço a carregar o outro.
Chororô igual não se via desde que Camila, em Laços de Familia, fez ao raparem sua cabeça.
Bem, pode-se dizer que por palhaços são apresentados a representação de ser aquilo que o ser humano é. Mas em seus gestos, o reflexo que se tem por vezes podemos ver o quão belo de graça é um simples comportamento humano no cotidiano. Por isso quando ao seu lado, uma mulher ou um palhaço, num período de tensão mensal. Ao invés de ignora-los, ou de não entende-los, não deixe de se atentar, tenha outra atitude: SAIA CORRENDO!!!
Dr. Caldigo
Dra. Chiquinha
24/01/09 Relatório Sensorial
Dra. Chiquinha que o diga, pois no dia de hoje teve seu avental encharcado por lágrimas, pois Dr. Caldigo em seu período bi-polar, ocilava entre, a raiva do ter, ser, ao choro do não. Pois um simples vazio no "bebêmodromo", suas lágrimas jorravam aos montes. Sua companheira tão firmemente na postura de não saber muito o que fazer, ora não sabia se o consolava, ora se chorava também.
Sucederam eum quase todo o dia no hospital geral São Mateus, um canto de Quero-Quero, e em vários cantos podia se ver um palhaço a carregar o outro.
Chororô igual não se via desde que Camila, em Laços de Familia, fez ao raparem sua cabeça.
Bem, pode-se dizer que por palhaços são apresentados a representação de ser aquilo que o ser humano é. Mas em seus gestos, o reflexo que se tem por vezes podemos ver o quão belo de graça é um simples comportamento humano no cotidiano. Por isso quando ao seu lado, uma mulher ou um palhaço, num período de tensão mensal. Ao invés de ignora-los, ou de não entende-los, não deixe de se atentar, tenha outra atitude: SAIA CORRENDO!!!
Dr. Caldigo
Dra. Chiquinha
24/01/09 Relatório Sensorial
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
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